Discursos de abertura da COP 15 pedem por acordo
Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil |

Autoridades recomendaram cooperação para a construção de um tratado climático e integrantes da campanha TicTacTicTac entregaram uma lista com 10 milhões de assinaturas pedindo "um acordo justo, legal e obrigatório".
Os apelos para o fechamento de um acordo ambicioso em Copenhague foram unanimidade nos discursos de abertura da Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP-15) nesta segunda-feira (07/12). “Espero que o espírito do C esteja no final deste evento. C de cooperação, construção, compromisso e consenso”, afirmou a ministra do clima da Dinamarca e presidente da COP-15, Connie Hedegaard.
Hedeggard destacou que a vontade política nunca será tão forte como agora e é preciso aproveitar este momento, pois demorará muito para chegarmos a este ponto novamente. “O tempo é curto, mas nos sabemos o que fazer. Nós temos uma tarefa e temos um tempo. Então teremos que fazer isso neste tempo”, comentou em entrevista coletiva realizada logo após a abertura do evento.
O secretário-executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, fez um apelo no nome das crianças e comparou a construção do acordo a um "bolo de natal". A primeira camada seria de ações imediatas em implementar mitigação, adaptação, finanças, tecnologia, REDD (mecanismo de redução de emissões por desmatamento e Degradação) e construção de capacidade.
A segunda camada, consiste em compromissos ambiciosos de redução de emissões e também para começar investimentos na ordem de US$ 10 bilhões por ano assim como financiamentos a longo prazo. A terceira camada, que seria a cobertura do bolo, consiste em uma visão comum sobre ações a longo prazo para responder as mudanças climáticas. “E eu espero que o primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen coloque as velas neste bolo na próxima sexta-feira”, completou.
O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, por sua vez, pediu um acordo ambicioso e forte aqui em Copenhague. “O mundo conta com vocês para atingir o que foi decidido em Bali”, disse. Durante a Conferência de Bali, em 2007, os países concordaram que o prazo final para fechar um acordo climático para após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso de Quioto, seria nesta edição de 2009.
O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, destacou em seu discurso as conseqüências do aquecimento global caso não seja colocada em prática políticas de mitigação, como a possibilidade do gelo na Groelândia desaparecer, aumentando o nível dos oceanos em sete metros e a extinção de 20% a 30% das espécies se a temperatura subir mais de 2.5º C.
“Para limitar o aumento das emissões em 2ºC a 2,4º C, o custo da mitigação em 2030 não passará de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) global. Em outras palavras, a tão chamada prosperidade esperada em 2030 seria postergada em alguns meses apenas. Além disso, a mitigação traz muitos co-beneficios, como o baixo nível de poluição atmosférica e benefícios associados para a saúde, maior segurança energética, mais empregos e produção agrícola estável”, disse Pachauri.
Após a cerimônia, De Boer e Hedgaard participaram de uma coletiva de imprensa durante a qual integrantes da campanha TicTacTicTac entregaram a lista com 10 milhões de assinaturas de pessoas pedindo “um acordo justo, legal e obrigatório”. Em um depoimento que incluiu lágrimas, uma das manifestantes pediu que parem as conversas e comece a ação. “Gostaria de agradecer todas a emoção que você mostrou, isto mostra que isto é sobre sobrevivência pessoas que estamos falando. Nos dê duas mais semanas de conversa e eu prometo que entregarei ação”, respondeu De Boer.
(Envolverde/CarbonoBrasil) |